futuro do metal nos ombros do pai: Como a Phantom of the Dark emocionou o FICG

Uma criança nos ombros do pai cantando Iron Maiden roubou a cena no Açude Novo. Por trás da catarse que rodou a internet, existe uma banda campinense com mais de duas décadas de estrada, movida pelo amor ao underground e que agora mira em composições autorais.

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O rock pesado costuma ser associado a rodas punks caóticas e guitarras ensurdecedoras. Mas no último domingo, durante o Coletivo Rock no 51º Festival de Inverno de Campina Grande (FICG), a cena mais marcante do evento quebrou qualquer estereótipo: um garoto, montado nos ombros do pai, batendo cabeça e cantando os classicos Fear of the Dark e Brave New World do Iron Maiden.

O registro, que rapidamente viralizou nas redes sociais, não foi apenas um momento de fofura em meio ao “caos”. Foi a prova visual de que o heavy metal na Rainha da Borborema é, acima de tudo, um legado geracional. E a trilha sonora desse momento épico estava nas mãos da Phantom of the Dark, uma das bandas mais tradicionais do underground de Campina Grande.

Lá de cima do palco principal do Parque Evaldo Cruz, o vocalista Adriano de Almeida acompanhava tudo de perto, dividindo a atenção entre a exigência vocal de interpretar Bruce Dickinson e a segurança da plateia.

“Teve uma hora que eu vi, começou um turbilhão de gente rodando, pulando, e eu vi que tinha umas crianças mesmo no colo“, relembra o frontman, que pediu para a roda afastar um pouco e garantir a festa de todos. O saldo final do show refletiu a essência da banda: “Ficamos muito felizes, porque vimos que abraçamos todas as gerações ali… as pessoas mais velhas, os jovens e as crianças“.

Essa energia familiar reflete a própria essência da banda. Completada por Sergio Alexandre (baixo), Thiago Lira (guitarra), Fabio Serrano (guitarra) e Alex Bruno (bateria), a Phantom of the Dark é a personificação do autêntico “corre” da cena alternativa. Longe de viverem do luxo dos astros do rock, a paixão fala mais alto que as planilhas financeiras.

Foto: Rafael Costa

O grupo encarna a dupla jornada para manter a cena viva. “Ninguém tem a vida de ‘ah, eu sou músico‘. Cada um tem seus afazeres, eu também sou funcionário público“, revela Adriano. Vestir o figurino e encarar maratonas de ensaios pesados obedece a uma única cartilha: “A gente não toca por dinheiro, toca porque gosta, por amor mesmo“.

Adriano vocalista da Phantom of the Dark

Esse amor e responsabilidade cobram seu preço físico. Cantar o repertório da Donzela de Ferro exige uma técnica brutal. Adriano confessa que o estudo para alcançar os timbres de Dickinson foi intenso, a ponto de terminar sem voz após encarar setlists de duas horas e meia.

É esse amor que mantém a banda ligada a Campina Grande há mais de duas décadas. Tendo participado das primeiras edições do Festival de Inverno, lá em meados de 2005 e 2006, o retorno ao palco principal do evento agora em 2026 tem sabor de vitória.

Das garagens de 2001 ao futuro autoral

A semente do projeto foi plantada ainda em 2001, impulsionada pela energia do festival Rock in Rio daquele ano. Após tentarem tocar de tudo, de grunge a pop rock nacional, a paixão unânime dos integrantes pelo metal britânico ditou o rumo. Foi entre 2004 e 2005 que o projeto assumiu definitivamente a identidade de Iron Maiden Cover, rebatizado mais tarde como Phantom of the Dark.

Hoje, o grupo mantém a chama acesa realizando shows pontuais a cada dois ou três meses para não saturar a cena local, sempre com uma resposta apaixonada do público. Mas os veteranos não querem viver apenas do passado. O vocalista revelou que a banda planeja investir em composições autorais, com o objetivo de lançar uma ou duas faixas próprias no período máximo de um ano. “Queremos colocar uma música nossa, autoral, no meio dos shows e, quem sabe se der certo, lançar um CD com o nosso nome“, projeta.

Enquanto esse momento autoral não chega, o Açude Novo segue ecoando os clássicos imortais, cantados por pais e filhos, guiados pela força irrefreável do metal campinense. O som pode ser cover, mas a alma entregue em cima do palco é, inegavelmente, original.

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