Técnico Marcelo Fernandes avalia dificuldades diante da retranca adversária, ineficiência na bola aérea e o peso do fator emocional no Almeidão.
O roteiro no Estádio Almeidão não saiu como o esperado pela torcida do Botafogo-PB. Diante de um Floresta que abdicou da posse de bola para se defender e jogar pelo contra-ataque, o Belo esbarrou em um ferrolho tático intransponível, na ineficiência das bolas paradas e, sobretudo, no próprio nervosismo. A segunda derrota consecutiva no quadrangular do acesso da Série C evidenciou a dificuldade da equipe em lidar com blocos de marcação baixa, um cenário destrinchado de forma franca pelo técnico Marcelo Fernandes em sua avaliação pós-jogo.
A proposta do time cearense foi clara desde o apito inicial: jogar por “uma bola”. Para tentar furar a retranca de uma equipe plantada com dez jogadores atrás da linha da bola, a comissão técnica alvinegra apostou em abrir os extremos e girar o jogo com velocidade. A intenção era criar espaços entrelinhas acionando jogadores como Nenê e as descidas de Rodolfo e Henrique Dourado. No entanto, o plano esbarrou na falta de transição. Sem campo para acelerar, o Botafogo-PB viu seu jogo vertical e veloz ser anulado pela forte compactação do adversário.
A dificuldade de infiltração pelo chão forçou o Botafogo-PB a recorrer constantemente aos cruzamentos e escanteios — foram mais de dez cobranças ao longo da partida. O expediente, exaustivamente treinado na véspera do confronto no próprio gramado do Almeidão, não surtiu o efeito desejado.
Marcelo Fernandes pontuou as razões precisas para a ineficiência no jogo aéreo. A equipe sofreu com a marcação individual implacável sobre Yan e sentiu o peso das ausências de seus melhores cabeceadores. Sem Igor e Simon em campo, o Belo perdeu sua principal força de impulsão na área cearense. A única chance clara gerada por esse caminho aconteceu já na reta final, quando Varela acertou a trave. Como o próprio treinador resumiu, a bola aérea é uma variação decisiva na Série C, mas ofensivamente o time não conseguiu executá-la com a precisão exigida pelo jogo.
A armadilha da ansiedade
Para além das limitações táticas diante de uma defesa fechada, o fator emocional jogou pesadamente contra o Alvinegro da Estrela Vermelha. Jogando em casa com sua torcida e a necessidade urgente de recuperação após o revés em Recife, o time deixou-se dominar pela pressa de resolver a partida. A postura defensiva do Floresta tornou o jogo propositalmente truncado e lento, o que alimentou a aflição das arquibancadas e contagiou os atletas em campo.
O comandante alvinegro admitiu que a ansiedade aflorou, prejudicando o nível técnico da equipe. O torcedor esperava um gol rápido para destravar o confronto, mas o Belo caiu na armadilha cearense de um jogo sem fluidez. A combinação de retranca e nervosismo resultou em uma atuação atípica, muito distante do padrão que a equipe costuma apresentar.
Apesar do cenário adverso e do clima de frustração natural após a partida, Marcelo Fernandes manteve a postura de blindar o elenco. Relembrando o exemplo do Amazonas, que no ano anterior conquistou o acesso mesmo após perder os três primeiros compromissos de sua chave, o técnico reforçou que não há nada perdido. Com o aspecto mental sendo o principal desafio para a sequência, o Botafogo-PB foca agora em corrigir as rotas táticas e recuperar a estabilidade emocional para o decisivo confronto fora de casa contra o Maringá.
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