Os planos do Treze para o Presidente Vargas e o sonho da Arena Galo

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Foto: Divulgação
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Enquanto a gestão atua para corrigir as deficiências herdadas no atual estádio, o Conselho Deliberativo traça o roteiro para erguer um complexo multifuncional através de capital privado.

O futuro estrutural do Treze Futebol Clube divide-se entre a preservação da sua casa histórica e a ambição de erguer um complexo esportivo moderno. No centro do debate sobre a infraestrutura alvinegra estão o tradicional Estádio Presidente Vargas (PV) e o projeto da futura Arena Galo. Os temas foram abordados recentemente e de forma direta por Raul Pequeno, CEO da Sociedade de Propósito Específico (SPE), em entrevista ao programa Arena do Galo, e por Iasley Almeida, recém-eleito presidente do Conselho Deliberativo, em participação no programa ITA FC, da Rede Ita.

Para tranquilizar o torcedor sobre o patrimônio atual, Raul Pequeno foi categórico no Arena do Galo ao afirmar que a criação da SPE não significa a venda do Treze e que o Estádio Presidente Vargas não foi transferido para a nova empresa. O PV continua a ser um bem intocável da Associação. Contudo, o CEO teceu duras críticas à infraestrutura herdada no local, apontando que as reformas recentes no estádio resultaram num projeto inacabado e custoso. Essa realidade estrutural deficiente forçou o clube a recorrer a instalações e campos alternativos espalhados pela cidade para que os atletas pudessem treinar com o mínimo de qualidade.

É perante as limitações físicas e operacionais do atual estádio que o projeto da Arena Galo ganha força como a solução definitiva para o clube. Em sua entrevista ao ITA FC, da Rede Ita, Iasley Almeida confirmou que a ideia de construir um complexo moderno já possui um projeto conceitual desenhado para os próximos anos. A visão do Conselho Deliberativo vai muito além de um simples campo de jogo: o objetivo é erguer uma arena multifuncional. Segundo o presidente, a estrutura servirá não apenas para receber as partidas do Treze, mas também para atrair toda a comunidade de Campina Grande e do estado da Paraíba com eventos e opções de lazer. O planejamento para tirar a arena do papel, no entanto, exige viabilidade financeira e a formação de uma “conjuntura de investidores”, além do engajamento da “legião de torcedores” como sócios para ajudar a financiar o futuro do clube.

Foto: Reprodução

A teia jurídica é tão delicada que, na prática, o gestor explicou que o clube hoje “não é dono sequer do PV” de forma plena. Embora a Associação mantenha o direito de “uso, posse e gozo” da área, as constrições judiciais impedem o clube de dispor do seu próprio patrimônio. “Eu não posso vender, eu não posso alienar”, frisou Raul, apontando que essas restrições inegociáveis inviabilizam o uso do terreno do estádio como garantia real para atrair empréstimos ou realizar grandes reformas de modernização.

Para viabilizar este ambicioso projeto e contornar a falta de liquidez do clube, a SPE aposta num modelo de captação de recursos inspirado no mercado imobiliário: a lógica da “venda na planta”. A estratégia passa por lançar a nova arena oficialmente no mercado como um produto, comercializando cotas de investimento e patrocínios de forma antecipada para financiar a obra através de uma conjuntura de investidores externos. No entanto, o sucesso desta engrenagem esbarra num pré-requisito inegociável: a segurança jurídica.

Para que o capital seja efetivamente libertado, o projeto estruturante tem de ser primeiro aprovado pela comissão de credores no âmbito da Recuperação Judicial, blindando a obra contra os riscos das mais de 50 penhoras que hoje assombram o atual estádio. É exatamente por ter o foco nesta solução definitiva que a diretoria rejeita gastar recursos em obras paliativas no Presidente Vargas, uma intervenção provisória apenas para libertar o campo custaria cerca de 5 milhões de reais, montante considerado inviável e que será canalizado exclusivamente para a reconstrução total do novo complexo.

É neste ponto que os discursos do Conselho e da SPE se alinham perfeitamente: enquanto a Associação gere o sonho, protege o patrimônio histórico (PV) e convoca os sócios, a SPE atua como o motor profissional e financeiro capaz de atrair o capital privado necessário para transformar o projeto da arena numa realidade. O sucesso do modelo empresarial torna-se, assim, a chave-mestra para garantir a modernização infraestrutural que o Treze necessita para os próximos anos.

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