Credores entram com nova petição, exigem bloqueio de contratos na SPE e pedem investigação profunda nas contas do Treze

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Fachada do estadio Presidente Vargas
Foto: Reprodução/Internet
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Grupo contesta transferência da gestão do futebol para empresa privada sem autorização judicial. Apesar do embate, credores concordam com a liberação do pagamento dos salários de setembro para atletas e funcionários.

A crise nos bastidores do Treze ganhou um novo e explosivo capítulo nesta quarta-feira (16). O escritório Rino Direito Desportivo, representando um grupo de credores da Recuperação Judicial, protocolou uma contundente manifestação na Vara de Feitos Especiais de Campina Grande, questionando a legalidade das operações da Treze Futebol S.A. e exigindo intervenção imediata do juízo sobre a gestão do futebol alvinegro.

Para entender o cenário, é preciso contextualizar o embate central que se formou nos últimos meses. De um lado, a diretoria alvinegra e o Conselho Deliberativo defendem que a criação da Sociedade de Propósito Específico (SPE) foi a única saída emergencial para atrair dinheiro privado, custear a Série D e preparar o terreno para uma futura SAF. Do outro lado, os credores enxergam a manobra como um perigoso “esvaziamento econômico”. Eles acusam a agremiação de fatiar o clube e transferir seu principal ativo, as receitas e a gestão do futebol, para uma empresa terceira sem a autorização prévia da Justiça, burlando o controle da Administradora Judicial e colocando em risco o patrimônio que garante o pagamento das dívidas milionárias da instituição.

A polêmica dos contratos dos jogadores

O ponto mais crítico da nova petição envolve o registro dos atletas. Na sua defesa prévia, o Treze havia argumentado que a SPE assumiu apenas o custeio da operação e que “nenhuma titularidade foi transferida”. No entanto, os credores rebateram essa tese apresentando minutas de pré-contratos de trabalho desportivo que mostram a própria Treze Futebol S.A., a companhia, no polo promitente, ou seja, como a contratante direta dos jogadores.

Diante dessa descoberta, o grupo exigiu que a Justiça aja com rigor. Os credores pedem que o juiz proíba a SPE e seus administradores de assinar contratos e registrar atletas em nome do clube. Além disso, solicitaram a expedição de ofícios para a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e para a Federação Paraibana de Futebol (FPF), exigindo informações sobre possíveis transferências de vínculos e filiações feitas no CNPJ da nova empresa.

O rastro do dinheiro

A petição também mira a falta de transparência na injeção de recursos. Os credores apontam que as informações prestadas pelo clube sobre a constituição da empresa, que tem capital social de R$ 13 milhões, são genéricas e não detalham a origem do dinheiro ou a identidade dos sócios da holding investidora.

Para esclarecer as contas, o documento pede uma verdadeira “devassa” financeira, ou seja investigação profunda, minuciosa e implacável, solicitando ofícios à Junta Comercial do Estado da Paraíba (JUCEP), à Receita Federal e a instituições financeiras (como o Sicoob), cobrando os extratos analíticos da movimentação da SPE desde a sua criação em maio de 2026. Os credores sugerem até mesmo a realização de uma perícia contábil caso os documentos não esclareçam as transferências entre a Associação e a SPE.

Alívio para os trabalhadores

Apesar da postura enérgica contra os administradores e a estrutura jurídica da SPE, os credores deixaram claro que não pretendem paralisar o clube. A petição destaca que o grupo não se opõe ao pagamento da folha salarial de setembro de 2026, nem à continuidade das operações ordinárias e de rotina do departamento de futebol. O objetivo da ação é garantir que os atos de maior vulto financeiro voltem a passar pelo crivo prévio do juiz e do comitê de credores, protegendo o rito da Recuperação Judicial.

O futuro administrativo do Treze agora repousa nas mãos da Vara de Feitos Especiais, que precisará decidir se acata as pesadas restrições sugeridas pelos credores ou se ratifica o modelo de gestão adotado pela diretoria alvinegra.

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