Em entrevistas ao Tropeiros Cultural, João Suplicy expressou que é contra a criação em massa de músicas artificiais destinadas apenas a monetização por meio de robôs inflacionando os plays, defendendo o elemento humano e a honestidade na arte.
A revolução digital prometeu democratizar a música, mas entregou uma esteira de produção onde algoritmos tentam decifrar a alma humana. Em meio ao debate sobre a Inteligência Artificial compondo faixas tecnicamente impecáveis em segundos, João Suplicy desembarcou em Campina Grande empunhando a sua arma mais letal: o seu violão. No palco intimista do London Pub, o músico provou que a verdadeira catarse artística mora na imperfeição e no suor que nenhuma máquina consegue emular.

Durante sua passagem pela Rainha da Borborema, o cantor foi cirúrgico ao analisar o cenário atual da indústria e o avanço da tecnologia nas composições. Para Suplicy, o formato cru de “voz e violão” resgata a urgência do real em um mundo saturado de produções sintéticas:
“Na IA, você já não sabe bem o que é humano e o que não é. Quando você tem um artista ali, voz e violão, é muito na cara, é muito real. E o público percebe isso”, destacou o músico, sintetizando o dilema através dos versos de sua própria autoria: “O robô batizado tem um bom compositor, mas não existe; ele é o melhor cantor, mas não existe”.
Os versos são da letra da musica “Amor Robotizado“, em que ele canta com Zeca Baleiro, a canção traz versos satíricos sobre inteligência artificial e o consumo de tecnologia, como “Ele é o melhor cantor, mas não existe” e “Até o seu amor se robotizou“, misturando o samba com uma forte veia de protesto.
O recado deixado por ele para a nova geração de músicos, que hoje carregam estúdios inteiros dentro de um celular, foi direto. Suplicy reconhece que todas as ferramentas tecnológicas são válidas quando usadas como suporte, mas faz um alerta fundamental sobre a essência criativa,“Tudo é válido para ser usado como ferramenta, mas a obra é sua. A alma é sua. E siga sua alma e seu coração”, pontuou.
No fim das contas, a técnica pode até ser programada e simulada por linhas de código, mas o talento, a falha e a poesia continuarão pertencendo, exclusivamente, ao coração de quem sangra a arte no palco.
Deixe um comentário