Campina Extreme: Nova edição consolida Campina Grande como polo do metal autoral e do underground nordestino

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O cenário underground campinense já tem data, hora e local marcados para uma das noites mais pesadas do ano. No dia 12 de dezembro (sábado), a partir das 17h, o Clube Paulistano (Alça Sudoeste) abre as portas para a terceira edição do Campina Extreme. Com ingressos já disponíveis pela plataforma Sympla, o evento promete uma maratona de som extremo com sete bandas, consolidando a cidade como um polo de resistência do rock e do metal no Nordeste.

A organização é assinada pela banda Fourkaos, representada pelos idealizadores Johnny Glaydson, Rodolfo Diniz e Mateus Oliver, que desde 2019 trabalha para oxigenar e estruturar a cena autoral na região. “Surgiu como uma ideia de oportunizar outras bandas de rock e metal, autoral principalmente, para que a gente pudesse fazer algo em Campina voltado para esse nicho. Cada vez mais a gente sente falta de eventos que contemplem bandas com projetos autorais e divulguem esses trabalhos de forma bem estruturada”, explica Johnny.

O Line-Up: Peso e Resistência

O line-up deste ano foi desenhado para abraçar nomes tradicionais da cena e, ao mesmo tempo, dar visibilidade a bandas emergentes que estão oxigenando o metal nordestino. O evento será encabeçado pela própria Fourkaos-PB e por veteranos como Comando Etílico-RN, Open The Coffin-RN e Warcursed-PB, todos nomes de peso e com trajetória respeitada em Campina Grande.

Pandemmy

Completando o cartaz local, as bandas Pandemmy-PE e Calango Morto-PB prometem atrair tanto o público mais tradicional quanto uma “legião de jovens que estão seguindo eles”, garantindo a renovação essencial para a sobrevivência do movimento. “É interessante fazer esse diálogo com a juventude, porque isso precisa ser prolongado. Se não houver esse diálogo entre o antigo e o novo, a nossa cultura rock metal acaba sendo esquecida e deixada de lado“, ressalta o organizador.

A grande atração de fora do estado fica por conta da banda Amazing, vinda do Distrito Federal, que estará de passagem pelo Nordeste em turnê e fará sua parada estratégica no palco campinense.

Para além do palco: a feira cultural

A proposta do Campina Extreme vai muito além de um simples festival de música; o objetivo é criar uma experiência imersiva que celebre toda a subcultura que envolve o rock e o metal. “Nosso propósito é expandir o evento além de shows e ter uma exposição da cultura rock/metal para que as pessoas vejam que a gente vai além de apenas música”, detalha Johnny.

Para isso, o Clube Paulistano abrigará uma feirinha cultural simultânea aos shows. O espaço contará com exposições de acessórios, participação de ONGs locais e trabalhos voltados para a sociedade. A ideia é que, durante a rotatividade das bandas no palco, com a previsão de encerramento por volta das 23h, o público possa circular e interagir com as diversas vertentes criativas e sociais do underground local.

Johnny Glaydson é um dos idealizadores do Campina Extreme – Foto: Arquivo pessoal

A construção de uma cena sólida

A estruturação do Campina Extreme só é possível graças a uma engrenagem que envolve não apenas as bandas e a produção, mas também apoiadores e o próprio público. O festival conta com parcerias importantes na cidade, como a Metal Zone, o estúdio de tatuagem Corpse Cult, e a tradicional Arius Pousada, que ajudam a viabilizar o evento. “É uma grande engrenagem que precisa não só que a produção ande junto, mas precisa da produção, das bandas, do público e de iniciativas”, pontua Johnny.

Embora o underground frequentemente esbarre na falta de apoio público, a cena local tem provado sua força através de união e perseverança. O histórico do festival demonstra esse amadurecimento: a primeira edição (2022) ocorreu no antigo “Nordics” no bairro da Prata e contou com exposições fotográficas; já a segunda edição (2024), realizada no Cine Teatro São José, incluiu debates sobre técnica vocal, com Bárbara, da Melancolic Wine, e Tiago Monteiro, da Flammer Hell, e uma palestra sobre a história do metal em Campina Grande ministrada pelo professor de história Ed Marques.

Para Johnny, a persistência é o que mantém a chama viva: “O pessoal tem o costume de falar que o rock morreu, mas eu não sou bem por esse viés. Acredito que está sempre vivo e mais vivo do que nunca. O que falta na verdade é esse diálogo entre produção, bandas, público e iniciativas que possam apoiar esses movimentos“.

Serviço:

  • O quê: Campina Extreme (3ª Edição)
  • Quando: 12 de dezembro (Sábado), às 17h
  • Onde: Clube Paulistano – Alça Sudoeste, Campina Grande/PB
  • Ingressos: Disponíveis no site Sympla
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