O goleiro Andrade tornou-se o símbolo do retorno do Cruzeiro de Itaporanga à primeira divisão do Campeonato Paraibano após 13 anos. A conquista, assegurada com a vitória por 5 a 4 nos pênaltis sobre o Auto Esporte-PB após o empate por 1 a 1 no tempo normal, no Estádio Almeidão, foi marcada por um drama pessoal. Por trás da defesa decisiva na cobrança de Júnior Mandacaru, o arqueiro precisou superar o luto familiar e a ausência de análises táticas do adversário para garantir a classificação da Raposa do Vale.

A equipe construiu o acesso amparada por uma invencibilidade de nove jogos sob o comando do técnico Rafael Borges. No tempo regulamentar da partida decisiva, o Cruzeiro-PB abriu o placar aos 38 minutos do primeiro tempo com Erick Bahia, mas cedeu o empate a Robinho aos 26 da segunda etapa. Com a nova igualdade, o jogo de ida tambem terminou em 1 a 1, a definição da vaga foi para a marca da cal, onde o lado humano do esporte prevaleceu.
Dias antes, durante a primeira partida da semifinal, Andrade perdeu o sogro, figura que descreve como central em sua vida. O abalo emocional quase encerrou sua participação no torneio. “Eu quase queria abandonar a competição para dar o suporte à minha família. Só que aí falei com a minha esposa, e ela falou para mim ficar, terminar a competição, buscar o acesso e dedicar a ele. Ele me acolheu na família de uma forma extraordinária. Eu tinha um carinho e um respeito muito grande por ele, como se fosse meu pai”, revelou o goleiro.

Além da carga emocional, a preparação para a disputa de pênaltis enfrentou um imprevisto técnico: o time foi para a decisão sem estudar os batedores do Auto Esporte. “A comissão sempre mandava os vídeos em toda preleção. Só que dessa vez não mandaram, o pessoal acabou esquecendo. Eu fui na minha intuição, tentei entrar na mente dos batedores. Falei para a minha equipe que se eles fizessem da mesma forma que treinaram, a gente iria sair classificado, porque um eu iria pegar”, explicou.
No momento da cobrança adversária, o goleiro buscou amparo na fé e na memória familiar. “Sempre olhava para o céu e pedia a proteção a Papai do Céu, pedia a proteção à minha mãe, que já é falecida, e a meu sogro. Pedi a eles que mandassem energias positivas para que eu pudesse dar o meu melhor. Tenho certeza que os dois mandaram, e Deus me presenteou. Eu consegui ajudar a equipe com a classificação”, completou Andrade, o nome do acesso cruzeirense.
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