A cantora e compositora Kell Smith fará sua aguardada estreia em Campina Grande neste sábado, 22 de agosto, como uma das principais atrações do 51º Festival de Inverno (FICG). A apresentação, gratuita e marcada para as 22h no Parque Evaldo Cruz, promete ser um mergulho profundo nas raízes da Música Popular Brasileira e na conexão cultural do Brasil com seus vizinhos de continente.
O espetáculo faz parte da turnê “Latino-Americana”, projeto que leva o mesmo nome de seu álbum lançado em 2025 e que busca promover uma forte experiência de identificação com o público ao valorizar a nossa identidade.
Um manifesto de pertencimento cultural
Para Kell Smith, o projeto é mais do que um show de música; é uma declaração de amor à brasilidade e à herança latina. A artista defende o fim das barreiras linguísticas e culturais no continente, destacando que, por muito tempo, o público brasileiro olhou mais para o Norte do que para os países vizinhos.
No repertório que será apresentado no FICG, o público pode esperar uma costura entre a história do Brasil e a própria vivência da cantora.
Durante a apresentação, Kell Smith revisita grandes clássicos da música brasileira como um tributo e um agradecimento a lendas como Gal Costa e Elis Regina, sendo que a obra de Elis serviu como sua principal porta de entrada para a MPB quando seu pai lhe apresentou o disco “Falso Brilhante” aos 12 anos de idade.
Rompendo fronteiras, o repertório também traz a cantora interpretando canções em espanhol pela primeira vez, reimaginando sucessos hispânicos como “Bésame Mucho” para evocar o “sentimiento” da música latina, considerado por ela um “primo irmão” do nosso samba e chorinho. Para completar a experiência, sucessos autorais que marcaram a geração estão garantidos, a exemplo de “Era Uma Vez” — faixa que ultrapassa a marca de 300 milhões de visualizações no YouTube —, além de músicas com forte carga social, como “Samba da Zenaide”, que levanta a bandeira contra a violência doméstica.

A trajetória de múltiplas vozes
A versatilidade musical de Kell Smith — que transita entre a MPB, o samba, a bossa nova, o rap, o reggae e o rock — é reflexo de sua própria criação. Filha de missionários evangélicos, ela cresceu sem endereço fixo, morando em diversos estados do interior do Brasil e até no Paraguai, o que lhe rendeu uma vasta bagagem cultural antes mesmo de ser descoberta pelo produtor Rick Bonadio cantando em bares de Presidente Prudente.
Além de sua potência vocal, a apresentação ganha uma camada extra de verdade pela transparência com que a artista aborda suas pautas. Diagnosticada com autismo aos 20 anos, Kell descreve essa descoberta não como um rótulo, mas como “um mapa” que a ajudou a compreender sua sensibilidade e seu processo criativo, transformando sua vulnerabilidade em sua maior força no palco.
Serviço – Kell Smith no FICG
- Data: 22 de agosto (Sábado).
- Horário: 22h.
- Local: Parque Evaldo Cruz (Açude Novo).
- Entrada: Gratuita.
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