Dr. Blazh une gerações e celebra a imortalidade do Heavy Metal no Açude Novo

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O cenário clássico de um show de heavy metal geralmente evoca imagens de headbangers, camisas pretas e uma atmosfera densa. No entanto, quem caminhou pelo Parque Evaldo Cruz neste domingo, durante o 51º Festival de Inverno de Campina Grande (FICG), presenciou uma quebra de estereótipos. Em meio aos acordes distorcidos, a cena que dominou o gramado foi a de crianças nos ombros dos pais, avôs curtindo ao lado dos netos e famílias inteiras cantando os clássicos do metal.

A grande responsável por essa catarse geracional foi a banda Dr. Blazh juntamente com a Phantom of The Dark. Com mais de uma década de estrada, a Dr. Blazh encerrou a maratona de shows do Coletivo Rock provando que o metal feito na Rainha da Borborema não apenas resiste ao tempo, mas é herdado culturalmente dentro de casa.

Para compreender a força magnética que hipnotizou veteranos e crianças no festival, é preciso voltar às raízes da banda. No centro da formação musical do grupo, e de grande parte da cena roqueira campinense, está a lendária donzela de ferro britânica: o Iron Maiden.

“O Iron Maiden é a paixão de qualquer pessoa que curte hard rock e heavy metal. É a primeira banda que a gente escuta e se torna referência”, explica o vocalista Márcio Lemos.

A influência da banda na cidade é tão profunda que funciona como uma verdadeira escola técnica para a juventude. “Eu fui estudar técnica vocal por causa do Bruce Dickinson! Queria fazer aquilo que ele fazia. Era a minha inspiração“, relembra Márcio. Segundo ele, o segredo para cativar desde a velha guarda até a nova geração de músicos locais é a atemporalidade. “O Iron era atual quando tínhamos 15 anos e continua sendo atual, como a gente viu hoje com a resposta da plateia“.

Baixista Renato – Foto: Rafael Costa

O Rock como elo familiar

A noite de encerramento do Coletivo Rock atestou que o peso das guitarras atua como um poderoso agregador social. A Dr. Blazh transformou a sua apresentação em uma grande confraternização, onde o palco e o público dividiam o mesmo DNA. Detalhando a emoção desse momento único, o baixista Renato Teodósio celebrou a pluralidade do público presente: “É muito difícil você ver um evento com uma diversidade tão grande de idades. Vieram pessoas que nem são do rock, mas estavam ali pelo parente ou amigo“.

Essa tradição familiar refletiu-se na atitude dos próprios músicos, que fizeram questão de compartilhar o festival com os seus. “Eu trouxe minha esposa e meus filhos, o Márcio também trouxe a filha dele… Isso mostra que esse segmento perpassa gerações. Tem gente aí com netos curtindo o som!“, relatou o baixista. Para os integrantes, esse ambiente acolhedor reafirmou o Açude Novo como um dos locais mais inclusivos e democráticos de Campina Grande, oferecendo segurança para que a cultura underground pudesse ser desfrutada em família.

Foto: Rondinelle De Paula

Mesmo subindo ao palco como a oitava banda do dia, a Dr. Blazh encontrou uma plateia com a energia lá em cima. Celebrando o próprio legado e já preparando o lançamento de suas primeiras músicas autorais, os veteranos fizeram questão de exaltar o futuro da cena, elogiando publicamente a atitude da nova safra de músicos da cidade.

O heavy metal vive. Entre riffs rasgados e os pequenos braços das crianças levantados na plateia, a Dr. Blazh deixou a mensagem de que, em Campina Grande, a chama do rock pesado continuará acesa por muitas gerações.

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