Como atração surpresa do festival, o cantor paraibano relembrou sua conexão de infância com o evento, reconheceu o impacto de novos artistas em sua obra e celebrou a força da cena musical do estado.
A programação do Festival de Inverno de Campina Grande (FICG) ganhou um contorno histórico com a participação de Chico César como atração surpresa. Em uma noite já marcada por apresentações de nomes expressivos da cena paraibana, o cantor e compositor subiu ao palco para coroar um evento que ele próprio considera fundamental para a identidade cultural do estado e do país.
Memória afetiva e a dimensão do festival
A relação de Chico César com o FICG antecede sua própria trajetória nos palcos. Durante a entrevista, o artista revelou que tem contato com a dimensão do evento desde os 10 anos de idade, época em que vivia em Catolé do Rocha e trabalhava em uma loja de discos.
Para o músico, o impacto do festival vai muito além da entrega de entretenimento. Ele descreve o FICG como um ambiente multilinguagem dedicado à profunda discussão da arte e da cultura, com uma relevância que alcança todo o Nordeste e o Brasil. Traçando um paralelo com o emblemático “Encontro da Nova Consciência”, Chico destacou que a própria forma como Campina Grande é compreendida nacionalmente está diretamente atrelada à existência e à resistência desses espaços de encontro e debate.
O “novo sempre vem”: o fenômeno Juliette e as parcerias com novos artistas
Questionado sobre a relação com artistas emergentes e o alcance recente de suas composições nas redes sociais, Chico César recorreu aos versos de Belchior para pontuar que “o novo sempre vem“. O cantor ressaltou a importância de os veteranos da estrada musical manterem-se de peito aberto para entender e dialogar com as linguagens trazidas por quem está chegando agora.
O exemplo mais contundente desse movimento foi o fenômeno em torno da canção Deus me Proteja. O artista reconheceu que Juliette, mesmo antes de se consolidar oficialmente como cantora fora do Big Brother Brasil, impulsionou a faixa de uma forma que os meios de comunicação tradicionais, como rádio e TV, nunca haviam alcançado. A projeção no reality tirou a composição da casa das 400 mais tocadas e a catapultou diretamente para a quarta posição geral de execuções naquele ano. Segundo Chico, isso evidencia a capacidade dos novos artistas de dialogar com a sociedade, motivo pelo qual ele se mantém atento e receptivo a novas colaborações.
Na última semana, Chico lançou a faixa ‘Não Deixe a Liberdade Morrer’ em parceria com a Marina Peralta, misturando reggae e cumbia.
Celebração da cena paraibana
A noite no FICG foi descrita pelo músico como uma verdadeira exaltação da produção local. Chico César elogiou a curadoria por contemplar a força da música paraibana em sequência, destacando os shows de Eric de Almeida, Toninho Borbo e Totonho. O cantor mencionou ter chegado ao local a tempo de assistir ao desfecho do show de Totonho, revelando ter ficado encantado com a performance do colega de geração.
Além da música, o artista fez questão de lembrar que a grandiosidade do evento se justifica por sua programação plural, que movimenta a cidade com teatro, debates e conversas, reafirmando o papel de Campina Grande como um palco indispensável para a cultura nacional.
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