Em bate-papo, o vocalista Dido detalha os sete anos do projeto, a responsabilidade de interpretar o maior poeta do rock nacional e a conexão intensa da banda com o público paraibano.
O Torresmofest 2026 foi palco de uma verdadeira viagem no tempo para os fãs do rock nacional em Campina Grande. Com o espaço do evento completamente lotado, a banda Legião Urbana Cover Recife entregou uma apresentação guiada pela nostalgia e pela precisão musical. Nos bastidores, o vocalista Dido conversou com o jornalista Luciano Sousa e compartilhou a trajetória do grupo que, há sete anos, mantém viva a obra de Renato Russo e companhia.
Origens e a naturalidade do timbre
O projeto de montar um tributo à Legião Urbana era um desejo antigo de Dido, mas que só conseguiu ser concretizado no final de 2019. O diferencial do vocalista, no entanto, é a semelhança orgânica de sua voz com a de Renato. O músico relata que nunca começou com a intenção de “imitar” o ídolo; o timbre parecido já chamava a atenção das pessoas mesmo quando ele se dedicava a trabalhos com música autoral.
Foi exatamente essa comparação constante e os pedidos recorrentes do público que o motivaram a assumir os microfones da banda cover, transformando uma característica natural em um projeto sólido que já se consolida nos palcos nordestinos.

Repertório por osmose e a paixão pela discografia
Quando se trata de escolher os sucessos para a setlist, a banda não faz distinções limitantes. Dido ressalta que todos os integrantes são apaixonados por toda a discografia da Legião Urbana, incluindo os trabalhos solos de Renato Russo. Como o próprio cantor de Brasília costumava dizer, o grupo entende que “todos os discos da Legião têm clássicos“.
Essa intimidade com a obra reflete diretamente na dinâmica de trabalho dos músicos. Em vez de ensaios engessados e frequentes em estúdio, a banda prefere um processo criativo que Dido descreve de forma bem-humorada como aprendizado “por osmose”. Os integrantes absorvem as canções ouvindo em casa, e a execução flui naturalmente quando se reúnem. Essa liberdade permite que nenhum show seja igual ao outro.
O repertório é moldado pelo clima do evento e pelo gosto da banda na hora de animar a plateia, garantindo sempre um espetáculo inédito. O alinhamento com os fãs é tão afiado que os tradicionais pedidos de músicas durante o show raramente precisam alterar o roteiro, pois os clássicos mais aguardados costumam já estar previstos no planejamento.

O peso da obra e a relação com a Paraíba
Tocar o legado daquele que Dido considera “o maior poeta da música popular brasileira” exige cuidado redobrado. O vocalista enfatiza que a banda lida diretamente com a memória afetiva das pessoas, o que demanda um critério rigoroso para entregar emoção e alegria, distanciando-se de produções feitas sem o devido zelo. O respeito pela obra é tão grande que o grupo conquistou o apoio e o reconhecimento da própria família de Renato Russo, o que traz para os integrantes a certeza de estarem no caminho certo.
Em Campina Grande, esse trabalho tem encontrado uma ressonância especial. Com cerca de cinco passagens pela Paraíba na bagagem, a banda destaca o carinho intenso que recebe do público local. A recepção calorosa dos paraibanos surpreendeu os músicos e se tornou um pilar de motivação. Como define o próprio Dido, a energia dos fãs da Legião é “a gasolina” que mantém a banda na estrada.
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