Antes de responder à primeira pergunta da nossa entrevista, o baterista Wellington fez um pedido inusitado, mas fundamental: pediu licença para “entrar no personagem”. Foi assim que ele deu lugar a Welcome, que junto a Hugh Wild (Hugo Albuquerque, guitarra) e Phil Feel (Philip César, baixo e vocais), forma a NonSense Rock. Esse pequeno ritual de transição explica perfeitamente a essência do power trio potiguar que desembarca nesta sexta-feira (28) no Torresmofest, no Parque do Povo, em Campina Grande: para eles, o rock and roll não é apenas música, é uma performance completa, um teatro visceral que exige entrega de corpo, alma e, claro, muito laquê.
Fundada no início de 2023 a partir do sonho de reviver a glória e os excessos da década de 1980, a NonSense nasceu com a proposta de ser muito mais do que uma banda cover tradicional. Inspirados na atitude espalhafatosa do Glam e do Hair Metal — e bebendo de referências visuais que vão de Mötley Crüe e KISS até a energia bem-humorada de bandas como Steel Panther —, os músicos criaram um universo próprio.

As perucas volumosas, as bandanas, as roupas de couro e o animal print transformaram o grupo em uma atração à parte nos festivais. Eles não apenas tocam os hinos de arena; eles trazem a MTV dos anos 80 direto para as praças do Nordeste, mantendo a postura estética inabalável, não importa o quão quente esteja o sol.
A construção do repertório é uma verdadeira engenharia sonora. Sendo apenas três músicos no palco, a banda conta com a genialidade técnica do produtor Mateus, o quarto membro do grupo. Através do uso de VS (samplers e trilhas de apoio de estúdio), eles preenchem o som com teclados, pianos e coros, permitindo que a banda seja flexível.
Esse banco de músicas imenso permite que eles moldem o show de acordo com a energia da praça. A NonSense passeia por blocos temáticos como o famoso “Poetas do Amor” (focado em baladas do Scorpions e Bon Jovi) e atinge o seu ápice na execução técnica rigorosa de gigantes do Hard Rock. As performances viscerais de clássicos como November Rain do Guns N’ Roses e o peso dilacerante de 18 and Life do Skid Row, que a banda, inclusive, já gravou em sessões ao vivo de estúdio, provam que, por trás das piadas e das roupas, existem músicos de altíssimo nível. Para garantir a catarse, o trio não raramente encerra suas apresentações pisando no acelerador, convocando a fúria do Metallica ou de Ozzy Osbourne para o delírio da plateia.
Para entregar a grandiosidade dos hinos de arena sendo apenas três músicos no palco, a NonSense conta com o suporte técnico do produtor Mateus e utiliza o recurso de VS (Virtual Studio) – disparando trilhas de piano, coros de apoio e orquestrações.



O desafio do Glam Rock no calor nordestino
A estética visual é inegociável, mesmo sob o sol inclemente. A banda revela que o desafio de usar perucas e roupas pesadas é real — eles já chegaram a se apresentar ao meio-dia e meia em João Pessoa totalmente caracterizados. Mas a transpiração vale a pena: a caracterização é a alma do projeto e o que atrai imediatamente a curiosidade do público.
Em vez de se limitarem ao circuito noturno de bares menores, a NonSense encontrou o seu verdadeiro palco nos grandes eventos abertos. Festivais de rua, encontros de motociclistas e eventos como o Torresmofest se tornaram o habitat natural do trio.
Para a banda, a magia acontece justamente ao tocar para um público rotativo e familiar, alcançando pessoas que normalmente não frequentariam um “pub” de rock. Após conquistar seguidores nas edições do festival em Natal e João Pessoa, chegou a hora de Campina Grande sentir o peso das guitarras e o bom humor da NonSense.
Agora, de olho em novos e maiores festivais de motociclistas e gastronomia pelo país, o grupo chega a Campina Grande com uma missão clara: mostrar à Rainha da Borborema que o underground também é feito de sorrisos, excessos e muita, mas muita festa.
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