O palco nunca foi apenas uma vitrine para Augusto Arruda; é, por essência, um espaço de manifesto e pertencimento. Depois de celebrar a tradição nordestina no Palco Cultural d’O Maior São João do Mundo no mês de junho, onde destacou a “valorização genuína da identidade artística local” e a “troca intensa” com o público, o cantor e jornalista se prepara para um novo marco em sua trajetória. Nesta sexta-feira (28), às 21h, ele sobe ao palco do Parque Evaldo Cruz para estrear seu próprio espetáculo no 51º Festival de Inverno de Campina Grande (FICG).
Batizado de “Som da Resistência”, o show é um mergulho profundo na força e na diversidade da música negra brasileira. Sem se prender a um único gênero, a apresentação promete ser uma viagem sonora e visceral pelo país, “O show tá com um repertório bem a cara do Brasil. Começo com Sandra de Sá e termino com Dona Onete. Vou pro samba, pro reggae e soul Brasil. Um repertório super plural“, revela o artista.
Para Augusto, cantar é também um ato de reverência àqueles que pavimentaram o caminho de sua própria identidade musical. O roteiro do show funciona como uma costura histórica entre as maiores referências da cultura negra do Brasil.
Ao elencar os pilares dessa resistência que o inspiram, a lista forma um autêntico panteão de lendas com Chico César, Jackson do Pandeiro, Gilberto Gil, Preta Gil, Sandra de Sá, Milton Nascimento, Djavan, Fat Family e Elza Soares. “É só um recorte dessa musicalidade negra tão potente que é a nossa”, pontua o cantor, ressaltando o peso da homenagem.
O legado do palco
Estar na linha de frente do 51º Festival de Inverno carrega um peso histórico. Embora já seja um nome familiar nos palcos da cidade, ter o controle do seu próprio espetáculo no Açude Novo traz uma emoção inédita. Para o jornalista e músico, o sentimento de consagração vem acompanhado de muita reverência ao espaço, “Primeira vez com um show meu, e eu acho que só vai cair a ficha amanhã, quando eu começar o show com Olhos Coloridos“, confessa.
O FICG é reconhecido nacionalmente como um dos principais redutos de fomento à cultura. Dividir essa mesma energia com ídolos pessoais torna a noite ainda mais simbólica: “Saber que não só Vanessa da Mata, como Chico César também já pisaram nesse palco me deixa muito orgulhoso da minha história“, destaca o cantor emocionado.
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