A passagem do gigante Othon Bastos pelo 51º Festival de Inverno de Campina Grande (FICG), na noite desta última quarta-feira (28), transformou o Teatro Municipal Severino Cabral em um verdadeiro templo da dramaturgia brasileira. Apresentando o premiado monólogo “Não Me Entrego, Não!” ao lado da atriz Marta Paret, o ator entregou uma verdadeira aula magna em uma sessão gratuita que marcou profundamente tanto o público quanto o próprio veterano.
No alto de seus 93 anos, Othon Bastos carrega o título de recordista em participações na televisão, somando mais de 80 produções, além de acumular cerca de 80 filmes em seu currículo cinematográfico. O ator é internacionalmente consagrado por dar vida ao icônico cangaceiro Corisco no clássico “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964), do lendário cineasta Glauber Rocha. Sua extensa e prestigiada trajetória ainda é cravada por atuações memoráveis em obras essenciais, como “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro” e a adaptação “São Bernardo”, além de um forte legado de resistência na fundação de importantes companhias de teatro.

O espetáculo “Não me entrego, não!”, que conta com texto e direção de Flávio Marinho, funciona como uma imersão sincera, emocionante e bem-humorada por essas memórias. Em cena, Marta Paret atua como um contraponto enquanto Bastos repassa seus 70 anos de carreira e suas vivências ao lado de gigantes como Gianfrancesco Guarnieri. O sucesso absoluto da obra rendeu ao veterano os Prêmios Shell e APTR de Melhor Ator em 2025, além de lhe garantir a vitória na categoria Artes Cênicas do prestigiado Prêmio Faz Diferença 2025.

Apesar de sete décadas de estrada e reverência por todo o país, a recepção do público paraibano atingiu o veterano de forma inédita. Em um depoimento visceral nos bastidores após a apresentação, Othon Bastos revelou estar profundamente tocado pelo calor e pela entrega da plateia. Lamentando com sinceridade o fato de não ter pisado nos palcos de Campina Grande antes, o ícone da arte nacional descreveu o calor humano da cidade como um espetáculo à parte.
Consagrado e maravilhado com a dimensão do evento, o ator fechou a noite com um voto irrefutável de longevidade à nossa cultura: o desejo vivo de que o FICG continue pulsando forte nas veias do Nordeste por, pelo menos, mais 51 anos.
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