O desabafo no palco
Durante sua apresentação, o sanfoneiro pausou o repertório para conversar com o público e explicar sua insatisfação. Ele iniciou seu discurso avisando que suas palavras poderiam ser o estopim para que, no próximo ano, ele não voltasse a tocar no festival.
O músico relembrou o histórico de suas passagens pela feira, pontuando que os horários nunca são os ideais para a experiência do público. Ele explicou que, nas vezes anteriores, foi colocado para abrir a festa enquanto as pessoas ainda estavam chegando e que, na atual edição, foi encarregado de encerrar o evento após uma noite inteira de shows.
“Eu espero que um dia eu consiga tocar um pouquinho mais tarde do que muito cedo, ou um pouquinho mais cedo do que muito tarde, para que todo mundo possa assistir”, declarou o sanfoneiro.

Em defesa do forró tradicional
Dorgival fez questão de frisar que suas palavras não soavam como ingratidão pelo espaço, mas como uma defesa do ritmo que o consagrou. Segundo o artista, a crítica não foi motivada por questões pessoais, mas sim pelo desejo genuíno de valorizar o forró e proporcionar uma experiência melhor aos seus fãs.
Ele reforçou que seu objetivo é apresentar o forró da maneira como aprendeu com seu pai e com os antigos sanfoneiros. Reconhecendo o esforço da plateia, o cantor também deixou seus agradecimentos aos fãs que permaneceram no local para prestigiá-lo, mesmo estando exaustos após uma longa noite. O desabafo foi finalizado com um aviso à multidão: se ele não estiver na programação do próximo ano, o público já saberá o motivo.
A fala rapidamente ganhou os holofotes na internet e dividiu as opiniões entre os internautas. O episódio foi o estopim para reacender um debate antigo e importante sobre a organização da grade da Expocrato. A discussão levantada pelos seguidores foca na forma como o festival estrutura sua programação e nos horários que costumam ser destinados aos artistas regionais e nordestinos em comparação a outros gêneros.
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