Adriano Souza explica a oscilação do Treze nos segundos tempos da Série D

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O Treze tem construído uma campanha na Série D marcada por uma força ofensiva inquestionável. Durante a primeira fase da competição, a equipe balançou as redes em todas as partidas, anotando impressionantes 11 gols em apenas quatro jogos. No entanto, em meio aos bons números do ataque, um padrão de comportamento da equipe vem gerando debates intensos entre os torcedores: a oscilação defensiva e o recuo da equipe, especialmente nos retornos do intervalo.

O time provou que a força do seu ataque reside na coletividade. A artilharia diversificada da primeira fase, construída por nomes como Jean Carlo, Gustavo Petrocelli, Buba, Vinícius Bala e Marquinhos, mostra um time que pisa na área adversária com facilidade. Esse faro de gol continuou afiado nas fases de mata-mata, com Petrocelli marcando um gol decisivo contra o São José-RS e Matheus Barbosa balançando as redes frente ao Decisão-PE.

Foto: Daniel Vieira/Treze FC

Apesar dessa agressividade inicial, o time tem sofrido com quedas de rendimento após o descanso. Um exemplo prático da vulnerabilidade defensiva da equipe nos instantes iniciais da etapa complementar foi o gol de pênalti sofrido contra Everton Heleno, logo aos 5 minutos do segundo tempo. Para parte da torcida, lances como esse levantam o questionamento: haveria uma orientação da comissão técnica para o time “sentar no placar” e abdicar do jogo ofensivo na segunda etapa?

Durante entrevista no programa Trivela da MRTV, o técnico Adriano Souza desmistificou essa teoria e abriu o jogo sobre os motivos táticos e físicos que levam a equipe a baixar suas linhas.

A janela dos 46 aos 60 minutos é a verdadeira “pedra no sapato” da equipe, concentrando 6 gols sofridos apenas nesse período de retorno do intervalo. Sobreviver a esses 15 minutos iniciais do segundo tempo sem ser vazado é a missão número um para garantir a classificação. 

O comandante garantiu que a oscilação não se trata de uma instrução deliberada. Segundo ele, o recuo é uma consequência sistêmica da realidade do futebol atual. “Não é uma instrução para que o time pare de jogar”, justificou Adriano, apontando que baixar as linhas de marcação muitas vezes é a única saída possível dentro do cenário que o jogo impõe.

Foto: Rafael Costa

O treinador detalhou dois fatores cruciais para essa mudança de postura. O primeiro é o mérito e a reação natural do adversário que, em desvantagem ou precisando do resultado, passa a se expor e atacar com mais volume. O segundo fator, e talvez o mais contundente na visão da comissão técnica, é o desgaste físico extremo. Com o modelo de jogo exigindo altíssima intensidade na primeira etapa, a queda natural de rendimento físico força a equipe a se adaptar defensivamente, cerrando as fileiras para suportar a pressão e proteger a vantagem conquistada.

Para o mata-mata, o desafio do Treze está traçado: encontrar o equilíbrio fisiológico e tático para que a artilharia letal dos primeiros tempos não seja sufocada pela necessidade de sobrevivência na etapa final.

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