Como o São José-RS de Argel Fuchs neutralizou o Treze na batalha do Amigão

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O futebol nem sempre é vencido por quem tem mais a bola, mas por quem sabe exatamente o que fazer sem ela. Se o Treze dominou a posse e o volume ofensivo, o São José-RS desembarcou em Campina Grande com uma missão clara: sobreviver.

A análise estatística do confronto revela que a classificação gaúcha não foi obra do acaso, mas o resultado de uma estratégia pragmática de quebra de ritmo e imposição física orquestrada pelo técnico Argel Fuchs.

O primeiro pilar da estratégia do Zequinha foi não deixar o Treze jogar. Ciente da força alvinegra no Estádio O Amigão, o time gaúcho recorreu sistematicamente às paralisações táticas. O São José-RS cometeu 26 faltas ao longo da partida, um número expressivo quando comparado às 16 infrações cometidas pelo Galo.

Esse excesso de faltas serviu como um antídoto contra a velocidade do time mandante, impedindo que o Treze entrasse em um ritmo confortável de troca de passes e construção ofensiva.

Foto: Rafael Costa

Com apenas 42% de posse de bola, a equipe comandada por Argel abdicou de tentar sair jogando de pé em pé no campo de defesa. O time tentou apenas 190 passes em toda a partida, acertando 129. A solução encontrada para escapar da forte marcação alta do Treze foi o jogo direto: o São José-RS abusou das bolas longas, registrando 27 tentativas e acertando 16, o que representa uma precisão de 59% neste fundamento.

O goleiro Fábio foi peça-chave nessa saída rápida, sendo responsável por 13 tiros de meta que ajudavam a empurrar a bola para longe da zona de perigo de forma imediata.

Para fazer o jogo direto funcionar, era preciso brigar exaustivamente pela primeira e pela segunda bola. E o mapa de duelos mostra que o São José transformou o gramado em uma trincheira. Apesar de perder na média geral de disputas (venceu 46% dos duelos totais), a equipe gaúcha levou a melhor no combate ríspido por baixo, ganhando 53% dos duelos no chão (59 embates vencidos de 112 disputados).

O grande símbolo dessa transpiração foi o volante Keverton. Ele disputou 22 duelos na partida (vencendo 12) e foi um gigante nas disputas terrestres, vencendo 11 dos 19 embates pelo chão. No setor ofensivo, o sacrifício também foi notório: o atacante Caíque Santos envolveu-se em 26 duelos com a defesa alvinegra, vencendo 11.

Já Grafite, o melhor jogador do time, disputou 23 duelos e foi a principal válvula de escape técnica da equipe, acertando 12 de 15 passes tentados (80% de aproveitamento).

Foto: Rafael Costa

Quando o Treze conseguia furar o bloqueio do meio-campo e pisar no terço final, a linha defensiva gaúcha optava pelo pragmatismo. Sem margem para enfeites, o sistema defensivo do São José-RS contabilizou 17 cortes (rebatidas) e 9 interceptações para afastar a bola da sua grande área. O zagueiro Tiago Pedra ajudou a sustentar esse miolo de zaga, garantindo a solidez necessária para segurar o 1 a 0 e arrastar o drama para os pênaltis.

No fim, a estratégia de Argel Fuchs atingiu o seu objetivo máximo: aceitar o sofrimento, abdicar da bola e usar um jogo extremamente físico para amarrar o adversário e calar o Amigão.

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